Bad Bunny´s: saboor crítica...
- Hugo Allan Matos

- há 1 dia
- 3 min de leitura
Estão comentando muito a performance de Benito no Super Bowl, mas minha gente, desculpe-me achei muito ruim. Oportunismo "sabor" crítica. Enlatado e rebeldia domesticada....
Para quem não assistiu segue:
A diferença entre um espetáculo de entretenimento e uma obra de arte política parece residir na disposição de causar desconforto. Ao subir ao palco do Super Bowl, um artista latino no auge de sua influência possui o que os teóricos chamam de "visibilidade hegemônica". No entanto, a performance de Bad Bunny, embora tecnicamente impecável e vibrante, operou dentro de uma estética de "latinidade para exportação", higienizada para o consumo da classe média americana, falhando em utilizar a fricção necessária que Childish Gambino e Residente dominam em suas respectivas obras, por exemplo.
O Espetáculo da Distração vs. A Dança como Arma
Em "This Is America":
Gambino utiliza o próprio corpo para demonstrar a esquizofrenia social americana. Uma cena fundamental ocorre logo no início: ele assume uma pose que remete às caricaturas racistas de Jim Crow para executar um homem encapuzado. A mensagem é brutal: o público ama a dança negra, mas ignora a morte negra. No Super Bowl, Bad Bunny entregou a dança, mas retirou a execução simbólica do sistema. Enquanto Gambino faz com que o espectador se sinta culpado por estar se divertindo enquanto o caos acontece ao fundo — como na cena das crianças filmando com celulares enquanto o mundo queima —, a performance de Bunny permitiu que o público americano celebrasse a cultura latina sem ser confrontado com o custo político e social dessa mesma cultura.
A Bandeira como Adereço vs. O Machete como História
Onde Residente em "This Is Not America" é cirúrgico, o Super Bowl foi genérico. Residente utiliza imagens que são feridas abertas: a cena que recria o assassinato de Victor Jara, com o violão quebrado e as mãos mutiladas, ou o plano de uma criança indígena sentada sobre caixas de uma gigante do e-commerce enquanto come um hambúrguer. Essas são metáforas visuais do colonialismo moderno.
No Super Bowl, o uso da bandeira ou da língua espanhola por Bad Bunny funciona como uma afirmação de identidade, mas carece do "machete" que Residente invoca. Bunny desperdiçou a chance de converter o palco em um território de denúncia. Ele poderia ter evocado a crise energética de Porto Rico, o status colonial da ilha ou a exploração financeira, mas optou pela "estética do sucesso". Sem falar da caótica política fascista de Trump para migrantes... Residente lembra que "2pac se chama Tupac por Tupac Amaru do Peru", estabelecendo uma linhagem de resistência que atravessa o continente. Bunny, por outro lado, aceitou o papel de "big dog" — termo usado por Gambino para descrever o artista que, embora rico e famoso, ainda vive dentro do "canil" (kennel) do sistema.
A crítica fundamental aqui é que Bad Bunny teve em mãos o que se pode chamar de uma oportunidade histórica, mas não a transformou em um ato revolucionário. Ele foi o "carrinho de cachorro-quente" em um momento que exigia a profundidade de um banquete crítico.
Enquanto Gambino usa o contraste entre o coral gospel cantando alegremente e o fuzilamento imediato para chocar o espectador, Bunny manteve a harmonia do início ao fim.
Enquanto Residente lista as "listas negras, os falsos positivos e os jornalistas assassinados", Bunny focou no setlist de sucessos.
A performance foi "fraca criticamente" porque não deixou cicatrizes. Ela reafirmou Porto Rico como um destino turístico e uma fábrica de hits, em vez de apresentá-lo como um povo em luta. No final de "This Is America", Gambino corre desesperadamente de uma multidão invisível no escuro. No Super Bowl, Bunny saiu sob aplausos e fogos de artifício. A arte que não corre riscos termina apenas como decoração para o império.





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