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Padre Júlio Lancellotti: Uma Fidelidade que Gera Futuro

A Carta Apostólica Uma Fidelidade que Gera Futuro, promulgada pelo Santo Padre por ocasião do 60.º aniversário dos decretos conciliares, convoca o clero a uma profunda revisão da identidade sacerdotal. Longe de uma visão estática ou saudosista, o documento exige que o presbítero contemporâneo cultive uma maturidade humana capaz de superar o narcisismo e a "triste reclusão em si mesmo", tornando-se uma "ponte" para o encontro com Cristo e não um obstáculo. O Papa alerta especificamente para os perigos da era digital, pedindo que os padres evitem tanto o "quietismo" (o medo de se expor) quanto a "celebração de si mesmo", adotando uma postura de serviço onde o sacerdote "desaparece para que Cristo permaneça".

No cenário brasileiro, o Padre Júlio Lancellotti encontra-se no centro de uma tempestade midiática e social que ilustra exatamente as tensões descritas pelo documento. Frequentemente alvo de ataques, ameaças e campanhas difamatórias nas redes sociais, ele é acusado por críticos de buscar "aplausos" ou "autopromoção" através da sua exposição digital. A controvérsia em seu entorno gira, muitas vezes, não sobre dogmas, mas sobre a visibilidade crua que ele dá à fome, ao frio e à "aporofobia" (o ódio aos pobres), desafiando setores da sociedade que prefeririam a invisibilidade da miséria e a naturalização da "arquitetura hostil".

Esta hipótese se confirma ao vermos na mesma arquidiocese de São Paulo, diversos padres alinhados ideologicamente com movimentos reacionários e conservadores, alguns apoiando abertamente políticos de extrema direita e até tirando fotos com armas, usarem às mídias sociais para autopromoção, ataque aos padres mais alinhados ao Evangelho (que dizem ser de esquerda, comunistas etc) livremente.

É neste contexto que a figura do Padre Júlio se torna um caso da fidelidade pedida pelo Papa: embora ele enfatize constantemente que não é exemplo para ninguém — recusando o título de "herói" ou "guru" —, é justamente essa recusa e a sua prática evangélica que o tornam o modelo de presbítero que a Carta antecipa e requisita.

A sua exemplaridade manifesta-se em três dimensões que antecedem e concretizam as diretrizes pontifícias:

1. A Lógica do Grão de Trigo: O documento pede que a vida do padre seja "transfigurada na lógica do grão de trigo", que não se preserva, mas se doa para dar fruto. Ao suportar o ódio digital e as ameaças físicas sem abandonar a sua missão junto aos moradores de rua, Lancellotti demonstra que a sua fidelidade lhe "custa caro". Ele vive a "corajosa opção de vida" exigida pelo Papa, rejeitando o conforto do quietismo para cuidar da "frágil humanidade".

2. O Vidro Transparente na Era Digital: O Papa pede que o uso da mídia tenha como paradigma o "serviço à evangelização" e a ortopráxis (a prática correta). Ao usar as redes não para vender cursos ou influenciar politicamente, mas para angariar água, alimentos e cobertores, o Padre Júlio cumpre a função do "vidro transparente": a sua visibilidade não bloqueia a luz, mas permite que a sociedade enxergue as chagas do Cristo sofredor nos pobres. Ele subordina a estética digital à ética da "caridade samaritana".

3. A Cítara da Comunhão: Por fim, a Carta usa a analogia das "cordas de uma cítara" para descrever a harmonia necessária entre o padre e o bispo. Apesar de sua enorme projeção individual, Lancellotti provou a sua eclesialidade ao acatar publicamente restrições impostas pela Arquidiocese em momentos de tensão, reafirmando sua "pertença e obediência". Este ato reforça que, para ele, a comunhão com a Igreja está acima do sucesso pessoal, evitando o modelo de "liderança exclusiva" ou messiânica que o documento condena.


Assim, ao insistir que não é um modelo, o Padre Júlio Lancellotti afasta de si a "autorreferencialidade" criticada pelo Papa e foca inteiramente na missão. Ele encarna, na prática, inclusive em seus discursos, a exortação final da Carta: uma fidelidade que não é imobilismo, mas um amor dinâmico que "dissipa as nuvens da rotina, do desânimo e da solidão", gerando futuro para aqueles a quem a sociedade nega o presente.

Então, podemos concluir que padre Júlio e a forma que lida com as mídias sociais antecede à carta do Papa Leão XIV.

E se é assim, porque o silêncio imposto por Dom Odilo, seu bispo? Será que Dom Odilo está cedendo à interesses sociais outros? Difícil dizer, uma vez que o Arcebispo de São Paulo não se manifestou publicamente sobre esta imposição ainda.

Mas este silêncio imposto parece ir ao contrário do que papa manifesta ser o ideal para os padres contemporâneos. E portanto, sugere que enquanto Padre Júlio se mostra obediente ao seu bispo, este por sua vez, parece não estar alinhado ao que pede o seu superior, papa Leão XIV...


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