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Sobre o comportamentalismo e o que somos nós...


Eu sempre tive muita dificuldade para lidar com o "não dito" nas relações. Principalmente nas relações profissionais.


Gosto de tudo objetivamente posto, sem firulas, sem formalidades, nestas relações de troca que as pessoas sejam sinceras sobre o que esperam de mim e se eu posso corresponder ou não.


Os joguetes realizados por pessoas perversas que imaginam algo sobre os outros e obrigam que correspondam aquilo que imaginam, sem dizer, para se autoafirmarem e melhor lidar com sua insegurança, imaturidade, incapacidade, mal profissionalismo....não me interessa.


Talvez uma influência de formas de pensamento ligadas ao behaviorismo. A partir da análise do comportamento, traçam "teorias" de significados e sentidos, para atribuir traços de personalidade às pessoas. BESTEIRA PURA!

O Behaviorismo se baseia numa compreensão técnica, mecanicista que não funciona para dar conta das complexidades da natureza e das relações historicamente construídas. Pode dar conta temporariamente para algumas situações muito específicas e de determinação biológica. Por exemplo: tem fome, vai comer. Mas prever as formas comportamentais utilizadas para comer é tão mais difícil, quanto maior o número de seres pesquisados. Esta tentativa de compreensão behaviorista simplesmente ignora, no caso dos seres humanos, que os comportamentos são sempre comportamentos contextualizados e determinados por uma infinidade de fatos históricos e suas consequências subjetivas nas pessoas.


Ou seja, agimos da forma que agimos, fazemos o que fazemos, sendo determinados pela forma que compreendemos o mundo e nos colocamos nele. E esta forma não é (nunca) autônoma. Sempre somos influenciados e determinados inconscientemente por ideias e acontecimentos que imprimem em nós ações. Melhor ainda: nossos comportamentos são determinados de forma aleatória como resultado de equações que não são possíveis de serem totalmente conhecidas.



Agimos da forma que agimos por motivos (conscientes e inconscientes) aleatoriamente encadeados. Se há um uno (traço unitário, como chama Lacan) que forma uma identidade, ele não é tão uno assim, pois é necessário que o que nos levou a agir de tal forma em uma determinada situação possa nos levar a agir de outra forma em outra situação com estrutura idêntica.


A alteridade é nossa grande marca evolutiva. Não existem regras, fórmulas, predeterminações capazes de nos condicionar a compreender os sentidos e significações que nos fazem agir como agimos. Nos adaptamos e sobrevivemos às condições que nos são impostas. Até o impulso vital não é fatalista, já que muitas pessoas decidem conscientemente querer morrer como solução e isso não é apenas determinação psicológica de uma doença que dado as más condições de vida fazem que ela queira isso. A situação histórica imprópria para a vida, determina a muitas pessoas que elas queiram morrer como solução. É diferente.

Somos determinados pelos fatos históricos e pelas formas (conscientes e inconscientes) que compreendemos estes fatos. E estas formas mudam no tempo, por isso a memória (que é uma ilha de edição, segundo Waly Salomão) é fundamental na formação da consciência que fazemos de nós mesmos. Um mesmo fato é interpretado por nós de formas diversas no decorrer da vida, porque os novos fatos análogos nos determinam de outras formas.


Não é por acaso que o Oráculo de Delfos coincide em muito com a centralidade da mensagem de Jesus de Nazaré. Conhece-te a ti mesmo é, de fato, uma tarefa para a vida toda e que determina a vida toda e nossas ações. Adicionando-se o princípio do Nazareno: ama ao outro como a ti mesmo, "dá pano para manga".


Até porque já sabemos que estas relações e a interpretação que fazemos delas que nos determinam são sempre comunitárias e portanto, não existe um EU, existe um Estou Sendo, que é comunitário. Somos enosamentos (conjuntos de nós, que constituem subjetividades comunitárias), resta-nos saber o que temos em comum em nossas comunidades e talvez esteja aqui o segredo de nossa existência enquanto espécie: agirmos estrategicamente juntos, pelo bem de todos. E isso vale numa família, numa empresa, numa cidade...

 
 
 

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