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Sobre como o PSOL é organizado e o enfrentamento do capitalismo

Tendências, coletivos, movimentos e a construção do socialismo.



O Partido Socialismo e Liberdade defende em seu programa (https://psol50.org.br/partido/programa/) que este seja um novo tipo de construção que parta da uma união de forças políticas diversas para a discussão de um Projeto Socialista. Caracteriza ainda que este é


"...um novo e histórico momento para o país e para a esquerda socialista que mantém de pé as bandeiras históricas das classes trabalhadoras e oprimidas...abre-se um caminho para uma alternativa de esquerda conseqüente, socialista e democrática, com capacidade de atrair e influenciar setores de massas, e oferecer um canal positivo para os que acreditam em um outro Brasil."

Propõe ainda como bases de seu Programa Estratégico 5 princípios:

  1. Socialismo com democracia, como princípio estratégico na superação da ordem capitalista.

  2. Não há soberania, nem uma verdadeira independência nacional, sem romper com a dominação imperialista.

  3. Rechaçar a conciliação de classes e apoiar as lutas dos trabalhadores.

  4. Reivindicações para a luta imediata e bandeiras históricas para além da ordem.

  5. A defesa de um internacionalismo ativo.

Após a caracterização de cada um desses princípios, o Programa expõe 3 Bases de Análises e Caracterizações, propõe 21 "campos de atuação" que caracterizam seu Programa.


Pois bem, para cumprir esse programa (?) o PSOL se organiza fundamentalmente com sua executiva nacional, diretório nacional, diretórios estaduais e diretórios municipais (ou regionais). Além disso, configurando uma complexidade democrática interna, tem mais de duas dezenas de tendências (correntes políticas) em seu interior. E além delas, coletivos e movimentos vinculados ao partido. Não para aqui, ainda há (em construção), setoriais temáticos que independente das tendências e coletivos, organizam-se em torno de temas específicos, como Educação, Segurança Pública, Tecnologia e Antivigilantismo, etc.


Esta complexidade democrática, tem favorecido contudo, à disputa interna do partido. As tendências disputam o poder do partido, para nele imprimirem suas concepções, dentre outras coisas. A abertura do Programa e da estrutura, aqui tem seu peso negativamente. Pois a tendência que conquista à hegemonia do partido, pode, supostamente, crescer mais e fortalecer-se. Esta lógica favoreceu desde sua fundação que a disputa interna ocorra muitas vezes em mesma intensidade ou mais que a disputa externa, que a luta do partido na sociedade.


Contudo, desde 2013, uma nova geração ingressa no partido, pouco importando-se com sua institucionalidade e por mais dinâmico que já fosse e mais novidade que quisesse trazer ao cenário político brasileiro, as tendências tiveram que acolher essas novas gerações, que passaram a cobrar do partido uma vida partidária, independente das tendências. Coisa que de alguma forma ficara legada a um plano secundário. E isso tem sido um dos fatores que colaboram para que o PSOL seja o partido de esquerda que mais cresce...


Assim, é preciso, urgente e necessário que as tendências - que são importantes, mas precisam deixar de ser fundamentais - apostem neste novo movimento e acolham essas gerações seja pelos setoriais, ou mesmo pensando os diretórios municipais de forma mais ampliada e ativa neste sentido de acolher e articular quem chega à vida de formação política e partidária, fazendo que "o partido seja uma verdadeira escola política" e apresentando todas as correntes e coletivos em igualdade, como parte do partido.


Assim, seria possível, por exemplo, imaginarmos que as iniciativas das tendências pudessem complementar-se como iniciativas do partido. Imagina por exemplo, se as sedes municipais dos partidos acolhessem às cozinhas solidárias e os centros socialistas e ocorressem em um só espaço, com direções paritárias e consensuais locais, e que as iniciativas teóricas do movimento revista e da fundação Lauro Campos e Marielle Franco estivessem sempre neles em evidência e que os setoriais, coletivos e todas as pessoas ligadas ao PSOL ajudassem na construção e manutenção desses espaços e outros em COMUM.


Talvez assim, o combate ao capitalismo e a construção do socialismo-comunismo fosse menos difícil. E a liberdade é o que garantiria aqui que junto à unidade na ação, a diversidade teórica fosse respeitada e cultivada como riqueza.


Este pequeno texto pode parecer simplório ou ingênuo. Mas para quem participa do partido sabe da emergência disso: que a ação seja o critério (práxis). E que as pessoas vejam em Nós possibilidades de vivermos o que anunciamos como socialismo e possam experienciar algo disso em algum lugar. Se não for no PSOL. Será em outro.



 
 
 

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