Sobre a fase atual da Filosofia da Libertação no Brasil: um breve resgate histórico
- Hugo Allan Matos
- 10 de mai. de 2024
- 3 min de leitura
Desde a década de 1960, quando surge o movimento Filosofia da Libertação
Leopoldo Zea em "El Pensamento Latinoamericano" faz uma retomada do que é a Filosofia Latino-Americana em sua perspectiva e já na introdução traz alguns dos principais problemas filosóficos da adjetivação, problemas metodológicos e uma abordagem crítica do que rumará grande parte de suas reflexões: o romantismo e o positivismo na América Latina. Fará uma leitura histórica das ideias na América Latina. Este importante instrumento metodológico de sua filosofia parece ser influência de um situacionismo com influência de José Gaos e José Ortega y Gasset. Importante notar que ele, depois Enrique Dussel, trarão a perspectiva de que a Filosofia Latino-Americana começa no momento da invasão Europeia quando filósofos europeus já tematizam o tema opressão-libertação sobre os povos aqui encontrados.
O momento atual da Filosofia da Libertação no Brasil pode ser chamado momento de maturidade (?) dado as conquistas logradas quanto a seu reconhecimento filosófico e início de uma fase de institucionalização para a divulgação e sistematização da produção de conhecimento realiada até aqui e em diante.
Destacam-se as temáticas que tangem a relação entre filosofia e educação, descolonialismo, feminismos latino-americanos, filosofias africanas e filosofias indígenas que as filosofias latino-americanas sempre problematizaram e o movimento apropriou-se.
O Ano de 2013, com o I Congresso Brasileiro de Filosofia da Libertação: Perspectivas do Pensamento de Libertação no Brasil, foi um momento de (re)encontro das centenas de pesquisadoras, pesquisadores que estavam à frente da produção teórica deste movimento no país, junto à Associação de Professores de Filosofia e Filósofos do Estado de São Paulo, realiaram um evento com mais de 300 pessoas inscritas e participantes, vindo de todas as regiões do país e com participações exteriores como de Enrique Dussel, evidenciando a vontade coletiva de concretizar uma comunidade que congregasse às diversas perspectivas e abordagens filosóficas do movimento.

Considerando a necessidade de retomar a história do movimento e avançar, o congresso deliberou a Associação de Filosofia e Libertação como um espaço redes de redes para o fortalecimento do movimento. Importante destacar o Insituto de Filosofia e Libertação, mais importante instituição do movimento no país.
Em 2014, ocore o II Congresso Brasileiro de Filosofia da Libertação: historicidade e sentidos da libertação hoje. Neste congresso, coordenado por pesquisadoras e pesquisadores especialmente ligadas/os à Filosofia Intercultural de Raul Fornet-Betancourt evidencia-se a necesidade do vínculo permanente com moimentos social-populares, característica peculiar dos movimentos de libertação e sobretudo a pluriversidade de epistemologias que compõem à filosofia da libertação no Brasil.Este congresso publicou alguns artigos aqui.
O III Congresso Brasileiro de Filosofia da Libertação ocorre em 2015, com o tema: Estéticas e Culturas de Libertação. Aqui as interfaces da filosofia com outras áreas do conhecimento ganhou força e as temáticas africanas, de gênero, e a importância da estética para o pensamento latino-americano foram hegemonicamente abordadas. Facebook do evento: https://www.facebook.com/congresso.filosofiadalibertacao/?ref=page_internal
Lista de vídeos do evento: https://www.youtube.com/playlist?list=PLOaqr5sxcp7cOhkUQWcP8Q_BOeeKIjFZS
2015 traz o IV Congresso Brasileiro de Filosofia da Libertação neste, de formas integradas as epistemologias africanas e interculturais estavam integradas na programação do evento. Com o tema: Filosofia no Brasil: História da Próxima Década, o evento problematizou justamente a importância desta integração em sua diversidade interna e a potencialidade decorrente da mesma. Neste, retorna o tema da construção coletiva da Afyl Brasil, como espaço de organização comunitária. E a criação do Grupo de Trabalho na Associação Nacional de Pós-graduação em Filosofia (ANPOF).
Em 2017, realiza-se o V Congresso Brasileiro de Filosofia da Libertação e II Encontro Internacional de Filosofia Africana. O Tema foi Movimentos Sociais Populares e Libertaçao. O Evento fora realizado no Kilombo Tenondé, possibilitando uma vivência junto a movimentos populares, na cultura permangola cultivada pelo kilombo, contando com a ilustre presença da filósofa argentina Dina Picotti (da primeira geração da Filosofia da Libertação) e filósofas e filósofos africanos e latino-americanos.
Houve a deliberação de intercalar um ano o Encontro do GT na ANPOF cujo I Encontro ocorre em 2018 e um ano o Congresso Brasileiro.
No ano de 2019 ocorre o VI Congresso Brasileiro de Filosofia da Libertação e III Encontro Internacional de Filosofia Africana: Corpo, Ancestralidade e Libertação. Destaca-se a integração com elementos culturais africanos, exibição de curtas metragens, discussões literárias, etc.
Em 2020 a Afyl Brasil, como organização comunitária, ganha corpo e estava em vias de institucionalização como a seção brasileira (autônoma) da Asociación de Filosofía y Liberación.
Continua...
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