Manifesto/Chamado à construção de uma escola popular, sustentável e democrática.
- Hugo Allan Matos
- 5 de jun. de 2022
- 3 min de leitura
Tornou-se comum dizer que "Só a educação nos salvará". Que queremos a construção de um mundo mais "solidário e justo". Que precisamos mudar o mundo, mas percebemos que a violência não é uma via e que só mudando as pessoas e nossa cultura enquanto povo brasileiro é que conseguiremos.
Entretanto, mesmo nós que nos dizemos pessoas progressistas, democráticas, seguimos nos submetendo ao sistema educacional que está sob a tutela do Estado, que por sua vez, neste modelo de sociedade capitalista, está nas mãos de 1% das pessoas da sociedade, que realmente dita o rumo das sociedades que se submetem a este sistema que vêm dizimando às classes trabalhadoras - que são os outros 99% das pessoas - dia a dia.
O sistema educacional é fundamental para que este modelo de sociedade funcione. É por isso que apenas 1% das pessoas do mundo consegue nos dominar, apesar de sermos 99% da população. A escola pública em nosso país chegou ao extremo do sucateamento e eliminação de professores. "Quem quer ser professor/a?" Escrevo desde o Estado mais rico de dinheiro da nação e sofro junto às professoras e professores as violências físicas no espaço escolar e psicológicas que nos são impostas diariamente sem nenhuma garantia de nossos direitos que são negados mês a mês - para você ter ideia o governo do estado de São Paulo nega pagamento de vale alimentação e direitos mais básicos e milhares de professoras e professores tem que ficar reclamando, entrando com processos burocráticos para conseguirem recebê-los -. As humilhações, assédios, violências são incontáveis e permanentes em um sistema de gestão que tem um único e mesmo objetivo: cansar, desgastar, aniquilar o professorado paulista. Não sei em seu estado, mas pelas amigas e amigos que tenho em diversos outros estados, as coisas não têm sido diferente. E não importa se o governo se diz de direita ou de esquerda a polícia que nos bate é a mesma, os direitos que nos são tirados não são menos direito quando um governo que se diz de esquerda os tira.
Com o desenvolvimento da modalidade de negócio de Educação À Distância (EAD) há modelos que relativizam, sucateiam, menorizam o papel do professor. Pautando-se na lógica de educação bancária, a figura do professor pesquisador, intelectual, vêm sendo, na educação pública e na privada não só dispensáveis, mas indesejável. Importa apenas um conteúdo superficial e de adestramento fácil e com boa estética e pronto, temos a figura do designer educador. Este é o ideal, que sim, saiba manipular minimamente às teorias e domine às Tecnologias de Informação e Comunicação (TIC). A utilização da inteligência artificial, aprovação do Homeschooling se completam com a desobrigação do Estado em garantir acesso à educação. E as instituições privadas de educação regem-se pela lógica do lucro, mas a cada dia, os processos seletivos têm exigido certo perfil de professores que afunilam geralmente em repetidores de conteúdos previamente determinados pelas instituições. Sabemos que não há e não haverá espaço para todas, todos professores. E diariamente é incontável o número de pessoas que se realizam existencialmente neste fazer educacional e se vêm obrigadas a mudar de profissão.
Uma das saídas em que aposto há alguns anos e ainda não encontrei meio de realizá-la é a construção de um modelo de escola comunitária que apesar de tornar-se uma instituição formal de educação, segundo as normas e leis do país, tenha desde sua concepção, em seu currículo e principalmente em atividades "extraclasse" o alimento e o exercício da vivência de valores e princípios quais queremos para a sociedade mais justa e solidária que queremos construir. Mas para que funcione, precisa ser um modelo construído comunitariamente, tendo a valorização humana e financeira de todos os seus profissionais. Que seja um modelo de gestão horizontalizado e que estudantes, famílias e comunidades locais vejam esta escola como sua. Que os movimentos sociais e populares a apoiem - financeiramente inclusive - e matriculem seus filhos e filhas nelas. Um modelo replicável que em cada cidade e se necessário tenhamos mais de uma em cidades grandes e que cheguemos ao passo de cada filha e filho da classe trabalhadora poder nela estudar. Que seja uma escola plural, multilíngue, que tenha em seu currículo esportes diversificados, robótica, programação, mas também agricultura orgânica, exercícios de convivência sadia e não violenta...
Parece um sonho? Não. É uma condição existencial. A realização desta escola precisa de nosso empenho de vida, caso queiramos continuar sendo professores e professoras. Segredo: para que uma escola como esta seja possível, só precisa de uma coisa: pessoas interessadas em construí-la.
Vamos? Se você quer se comprometer na construção desta escola popular, democrática e sustentável preencha este formulário e entrarei em contato: https://forms.gle/EXr53zjVdu2kK9kb7
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