Filosofia no Ensino Médio
- Hugo Allan Matos
- 4 de dez. de 2018
- 1 min de leitura
Fui professor concursado na escola pública no Estado de São Paulo. Meu sonho era o de voltar à escola (de periferia) onde fiz meu ensino médio e poder retribuir um pouquinho do que recebi daquela comunidade, tentando possibilitar que mais jovens pudessem lançar perspectivas para além do reducionismo de vida que nos é imposto desde a pobreza.
Foram apenas três anos, intensos, de conhecimento do sistema de educação pública de nosso país, principalmente de nosso estado. Muitas experiências boas ali, na relação com estudantes e colegas.
Com estudantes, logo percebi que a filosofia acadêmica não era possível de ser ensinada, seria necessário fazer uma transposição linguistica-conceitual para permitir que estudantes pudessem compreender a filosofia como um instrumento para a vida. Comecei a utilizar-me de elementos da cultura popular, como rap brasileiro e "funck carioca" para analisarmos às letras, documentários, jornais... e partirmos para conceitos de filósof@s. Deu muito certo. E a partir daí, ensaísticamente el@s elaboravam vídeos, textos, material cultural para expressar o que entendiam.
Senti a necessidade de construção de um instrumento que pudesse produzir materiais para a prática da filosofia no Ensino Médio, pois a filosofia universitária dá subsídios, mas não é fácil fazer essa transposição. Danilo Di Manno de Almeida, meu então colega e orientador no mestrado, tinha a ideia de criar um instituto que pudesse não só fazer esta transposição para o ensino médio, mas para fortalecer a cultura filosófica, elaborando materiais que pudessem popularizar a reflexão filosófica em geral e à filosofia. Infelizmente esse grande mestre faleceu tragicamente, quando estávamos formando o grupo e ensaiando o que seria isso. Depois de seu falecimento, fundamos o Instituto Opus Corporis.
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