Autobiografia intelectual 5
- Hugo Allan Matos
- 5 de dez. de 2018
- 1 min de leitura
O quinto livro que mudou minha vida (todos os livros que leio mudam minha vida, mas tentei trazer aqui 7 escolhas pela importância que as mudanças geradas têm hoje) este é Totalidade e Infinito de Emmanuel Lévinas.

Cheguei a Lévinas por Dussel. Penso que as obras destes dois autores se complementam ou eu já não consigo mais separá-las. Enquanto Dussel apropria-se da filosofia para continuá-la a partir da realidade latino-americana, Lévinas causa um rompimento radical que permite epistemológicamente pensar o contemporâneo como "o tempo do Outro" e à "cultura ocidental" como "Encobrimento do Outro" como diz Dussel.
Lévinas, da forma que o leio, tem a peculiaridade de sua forma de escrita, seu vocabulário com uma nova metafísica, poética, estética e profundamente imanente toca ao íntimo de quem a lê, pois trabalha não só a compreensão racional, mas a imaginação, a percepção, sensibilidade intuitiva ao mesmo tempo. É uma obra que vai além da escrita conceitual, sendo estes mesmos conceitos uma ampliação do conceito de conceito e abrindo-o à infinitude da metáfora. A maior dificuldade de lê-la se dá a meu ver pela dificuldade cultural que temos de abrirmos nossa sensibilidade para além da compreensão conceitual que se aprensenta ineficaz se não acompanhada de abertura sensível, imaginativa e intuitiva para construir junto a Lévinas os conceitos desta.
Estou começando a lê-la no francês, para tentar aproximar-me mais de Lévinas...Que Deus me ajude.
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