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Uma autobiografia Intelectual 4


Este livro foi o que terminou um processo de mudança e discernimento. Quando ainda na teologia, lá em 2003, ocorreu-me a fatalidade desses novos tempos. Pude conviver com as pessoas da ocupação Santo Dias (quando mais de 3 mil pessoas ocuparam um terreno abandonado da Volkswagen https://www.youtube.com/watch?v=GEeno6e6KcQ) e ali me pareceu muito claro que a negação de vida da sociedade contemporânea está tão intensa que é imoral, injusta e insustentável. Daí então que resolvi entrar no seminário para discernir minha vocação, o que faria de minha vida.

Foi no seminário que encontrei perdido na biblioteca este livro do Dussel, autor do qual eu não tinha ouvido falar. Com a leitura deste, pela primeira vez consegui conceitos que me ajudassem a ler tudo o que sentia. Que me ajudassem a explicar à injustiça que está perante nossos olhos e que a normalizamos. Marx não dava conta disso, a meu ver na época, dado sua abstração conceitual eurocêntrica. Dussel explica de forma latino-americana, partindo da realidade concreta (a partir de um realismo crítico) e considerando e enfatizando a questão da religião, lendo a sociedade e apontando uma possibilidade de solução, desde a teologia católica.

É a partir de Dussel que consegui elementos para sair de um fundamentalismo cristão neopentecostal, sem cair num extremismo materialista ateu (qual não conseguiria lidar, porque tenho fé) para uma fé em criticidade, que não abandona o elemento místico, tampouco a materialidade do Reino de Deus, que começa aqui e agora e se estende pela eternidade, mensagem central do Evangelho. Passei a ler a obra toda de Dussel, decidi sair do seminário e tornar-me filósofo, maneira que poderia auxiliar mais que como sacerdote, dado que eu não sentia o chamado ao sacerdócio (essa decisão ocorreu quando Bento XVI foi eleito papa) e minha conclusão era a de que a igreja rumaria a um conservadorismo e eu poderia auxiliar mais como leigo.

Em 2004, ainda seminarista, mas ja decidido em sair, fui num seminário sobre Dussel e Freire na PUCSP e tocou-me muito a exposição de Suze Piza e Daniel Pansarelli sobre o tema. Decidi centrar meus estudos e produção filosófica na Filosofia Latino-Americana, o que faço até hoje.

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