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Sobre Apps, APEOESP e a Educação Pública no Estado de São Paulo


(há links durante o post com referências que você pode consultar clicando)


A APEOESP em seu fraco vídeo de convocação dos professores para a “greve dos Apps” novamente simplifica a questão, não dá a atenção necessária e não provoca à classe ao crítico engajamento à mobilização.


Professoras e professores estão sentindo diariamente às transformações da educação pública no chão da escola. A quantidade de escolas sendo “reformadas”, os projetos sendo empurrados e movimentações como nunca de gestoras e gestores mostram que há algo diferente acontecendo.


As frequentes redes comunicando alterações nas leis, currículos, regimentos e costumes do sistema público estadual de educação (e que estão acontecendo em todos os estados) sufocam ainda mais o cotidiano escolar, colocando supervisões, direções, coordenações e gestões em todos os níveis numa defensiva que talvez nunca tenhamos presenciado.

A contratação de apps e tecnologias que na verdade serão inúteis no dia a dia, não alteram em nada substancialmente e trazem mais problemas que soluções, já presenciamos há décadas. Sabemos que este, junto às inúteis “reformas” nas escolas, como colocar piso branco, fazer reformar sem sentido e uma infinidade de não mudanças qualitativas constantes escondem um grande e conhecido duto de corrupção. O Chatgpt bem como os apps contratados ilegal e imoralmente da empresa do sr. Secretário de educação e outros do bando de empresários sanguessugas do patrimônio público, desde os ladrões de merenda das crianças, os uniformes escolares nas redes municipais, as licitações fraudadas que desviam verbas para facções criminosas como o PCC, até os complexos e superfaturados contratos de tecnologia já são velhos conhecidos nossos, sofisticam o método e o produto, mas a lógica continua a mesma.

E não, APEOESP, eles não querem substituir os professores pelo chatgpt, afirmar isso é simplificar à questão e não ir à raiz dela. Eles querem garantir o conteúdo ideológico no currículo e desviar verba pública para as empresas privadas de toda forma possível, melhor que seja com uma aparência de atualização e inclusão das Tecnologias de Informação e Comunicação (TICS).

Tudo isso, acentuado como está, tem uma causa única e ela é ideológica e fundamental para que o neoliberalismo dê certo. E enquanto profissionais da educação pública não entenderem isso, dificilmente farão alguma resistência ao processo. E infelizmente, não podemos contar com a APEOESP, que sabe de tudo isso há décadas, não denuncia, não mostra, não vai à raiz dos problemas, porque tem se beneficiado do sindicato para eleger candidatos e sabe que o Partido dos Trabalhadores, qual aparelha o maior sindicato da América Latina há décadas, repete a mesma lógica em nível federal, e não é de hoje, ou ninguém se recorda do Linux Educacional, os projetores, computadores, que chegaram às escolas via Governo Federal, já sem condição alguma de serem utilizados, por falta de informação, formação e devido treinamento para utilização e bom aproveitamento deste material, que em geral foi estocado e sumindo aos poucos das escolas? - e sim, precisamos falar da microcorrupção dentro das escolas, nas APMs, Lanchonetes, roubo do patrimônio público etc. Mas isso fica para u próximo post -. Ou dos milionários contratos com as diversas companhias telefônicas para que haja internet banda larga nas escolas (cada um desses é um contrato, de diferentes esferas de governo: 1 2 3 e esta nunca chega, apesar de já ter sido investido muito dinheiro público pelos governos em todas as esferas, dos diversos partidos, há décadas.

Mas, inegável que as repressões aos profissionais de educação, o assédio generalizado, os aparatos de supervisão e controle dos corpos dos profissionais de educação chegaram a um nível diferente, muito além do que poderíamos imaginar. E o motivo ideológico por detrás destes instrumentos de corrupção, domínio e controle é que os profissionais de educação se tornaram inimigos do Estado. E não estou afirmando isso em sentido metafórico, simbólico. É literal.

O neoliberalismo chegou a uma fase em que ele precisa privatizar todos os serviços públicos para conseguir melhor popularizar suas ideias e modo de vida. E neste sentido, a educação é estratégica. Ele precisa controlar o conteúdo (currículo é poder) escolar, além de roubar dinheiro da educação pública. Já que o Congresso e todas as esferas do Estado (municipal, estadual e federal) já estão hegemonicamente tomadas, ou seja, a política mais forte e principal que está sendo implantada, mantida e aprofundada é o neoliberalismo, mesmo que haja resistências, estas não conseguem ameaçar este avanço do neoliberalismo, haja vista o maior poder cedido ao Conselho Nacional de Educação, no qual estão lá garantidos com maior força os representantes dos setores neoliberais, seja no Ministério da Educação e nas secretarias em todas as esferas. O próximo passo e quase que inevitável é a privatização total da Educação Pública no país. Pode ser que isso ocorra de diversas formas, com cara de inovação e até revolução na educação, vide Fundação Lemann que sempre traz com sua juventude "empreendedora" um discurso de transformação positiva. Ou pode ocorrer como os governos do PT gostam de fazer, de forma mais tímida, como é hoje no SUS, privatizando setores estratégicos, como quem contrata os profissionais, deixando o ônus para o Estado e as empresas privadas administrando o dinheiro e gestão de pessoas e patrimônio. Importa que o dinheiro público vá para as empresas privadas. O lucro.

Para isso, precisam acabar com os professores concursados, contratando precariamente novos profissionais a cada dia menos formados e mais submissos e amarrados ao sistema, quais não podem mobilizar-se, fazer greve etc. a verdadeira uberização dos profissionais de educação, que lutam pela sobrevivência e não têm as mínimas condições de trabalho digno, acomodam-se ao assédio das empresas privadas e à (i)lógica de mercado. Este é o objetivo desta movimentação, esta é a novidade, o problema na raiz. E quando vemos que nem os sindicatos, nem os profissionais em geral estão se mobilizando para enfrentar isso, a falta de esperança e a submissão total fica certa, inevitável. Há profissionais que juram que assim é melhor. Que estão felizes com a maior mobilidade e maior quantidade de dinheiro caindo na conta, mesmo que lhes seja roubados todos os direitos trabalhistas que lhe garantiam minimamente uma possibilidade de dignidade. O Neoliberalismo venceu! As pessoas estão se tornando neoliberais. Sem nem perceber. E o maior problema nisso é que uma das próximas etapas do capitalismo para satisfazer sua ganância infinita, quando o modo de produção já estiver todo automatizado e não precisando de mão-de-obra humana, quando os robôs e apps substituírem totalmente a figura dos professores e a maioria das pessoas concordarem e acharem melhor uma educação com robôs que com humanos, quando a maioria das pessoas estiver convencida que precisamos do mínimo para sobreviver e aceitarem totalmente a submissão ao controle total do imperialismo e despotismo neoliberal, acostumarem-se com sua violência radicalizada - sim o gesto de arminhas com as mãos e defender pena de morte têm relação com isso -, inclusive passarão a concordar que há muita gente no planeta e que precisamos diminuir a quantidade de gente, para fazer um mundo mais habitável e sustentável; é então, talvez, que iremos nos dar conta de que as classes trabalhadoras que sustentam tudo isso, que produzem toda a riqueza, mas quando o trabalho humano estiver sendo ameaçado e substituído pelo trabalho da máquina e os poucos postos de trabalhos humanos insubstituíveis serão disputados em um nível nunca imaginado, em troca de qualquer benefício a mais, talvez nos conscientizemos de que todos estes benefícios não chegarão às classes trabalhadoras e apenas a pequena parcela da população que desde o renascimento concentra a riqueza nas mesmas famílias, talvez nos conscientizemos de que precisamos nos unir e lutar contra este problema na sua raiz. Mas, talvez seja tarde demais. Os mecanismos de controle, opressão e subjetivação estarão tão avançados que talvez nos convençamos de que é melhor assim.  

Não é objetivo deste texto causar mais medo e receio, pelo contrário, é esperançar e clamar para que profissionais de educação tirem forças de onde conseguirem para resistir a este processo, das diversas formas possíveis, não fiquemos só na resistência e nos antecipemos, partamos para a ação. O que é possível fazer agora, daqui há cinco anos e depois.

Se nós, profissionais da educação que temos amplo acesso ao conhecimento crítico produzido pela humanidade não fizermos isso, provavelmente ninguém mais fará.

E é por isso que nos tornamos inimigos do Estado, que está a serviço do Neoliberalismo.

 

 

Hugo Allan Matos, filósofo, professor de filosofia, coordenador da Associação Pela Educação Pública. E-mail para contato: hugo.allan@gmail.com

      

 

 
 
 

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