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Sobre a posição do PSOL para a eleição do presidente da câmara dos deputados

Este post foi publicado numa primeira versão em: https://www.abcdaluta.com.br/post/a-posi%C3%A7%C3%A3o-do-psol-%C3%A9-vista-por-alguns-inclusive-por-marcelo-freixo-como-infantil Entre neste blog militante e leia os outros textos para debates também...

Sobre a posição do PSOL de não entrar na "liga democrática" contra Bolsonaro, qual inclui PSL (o partido fundado por Bolsonaro) e outros do centrão e da direita, quais fundaram à ordem atual das coisas...


A posição do PSOl de não compor esta liga é vista por alguns, inclusive por Marcelo Freixo, como infantil. Penso que qualquer partido que se pretenda revolucionário precisa se recusar de compor alianças com os partidos da ordem burguesa, sobretudo, quanto a causa é falsa. Tirar Bolsonaro, nos salvará do neoliberalismo? Parece-me óbvio que não. Pode vir coisa ainda muito pior....Sob a alcunha de tirar Bolsonaro a qualquer custo, justifica-se esta ampla liga "democrática" com partidos que protagonizaram o Golpe do Estado e tiraram a presidenta da República Dilma Roussef. Pasmém, PT compõe esta aliança. O PSOL não.

É uma visão no mínimo reducionista que se funda sob uma perspectiva de que a política que aí está é a única forma possível de fazer política. É a política que metade da população, dos que poderiam votar e não votam mais já não dão a mínima, em grande parte por saberem uma política corrompida e corruptora, uma política de uma pequena elite de um país de população pobre, que se elege para representar seu povo e não o faz. Representa apenas os interesses da burguesia, abrindo mãos de qualquer princípio ou valor, pautando-se no possível...Mesmo sabendo que o possível é aquele que já está possibilitado pelos interesses de quem controla esta política: a burguesia.

Se é infantilidade querer e saber que outras políticas são possíveis, desde baixo, com os de baixo, contra à modernidade, contra o capitalismo, por mundos melhores... que bonito! E que sejamos todas crianças! Só hoje, mais de centenas de povos no Brasil vivem de formas política-econômica não capitalistas, não modernas. Povos indígenas, rebeirinhas, quilombolas...Não é querer o impossível, mas é desde baixo, junto ao povo, legitimar e fortalecer outras formas políticas, econômicas, sociais e culturais de vida. É contra o modelo de Estado Democrático de Direito (burguês, moderno, excludente, opressor de grande parte da população mundial) insistir em legitimar, fortelecer, multiplicar e disputar a hegemonia desde outras políticas.

Sim, a política institucional hegemônica atual é importante, é o que determina nossa realidade imediata? Óbvio, mas já está limitada em sua forma e conteúdo. A função de uma esquerda verdadeiramente revolucionária, não é fazer o possível, como fez o PT, porque este é o possível dessa política que é necropolítica, de um necro Estado. E quando nesse possível ousar sair um pouquinho do que deseja a burguesia, em dias, não só tiram do poder, como anulam tudo o que fizeram, mostrando quem manda neste jogo.

As manifestações de Junho de 2013 foram um divisor de águas na política brasileira contemporânea. Encerraram o cíclo de crença nas elites políticas e mostraram que de alguma forma, o povo sabe o que quer e o que não quer. E quando perde as esperanças, se manifesta. Entendo por povo não todas as pessoas, mas as pessoas minimamente politizadas que se manifestam e participam politicamente. O PT (toda vez que digo o PT, digo sobre a atual hegemonia de forças do PT em torno da figura de Lula, reconhecendo, é óbvio que tem m

uita gente boa, bem intencionada e bons quadros políticos no partido) não respondeu às necessidades populares. Com um elitismo, vanguardismo, centralismo, alienou-se do povo. E mesmo durante as manifestações e mais ainda depois, mostrou-se corrompido ideológicamente e reprimiu às manifestações, condenando-as em vez de fazer uma autocrítica e buscar o diálogo com o povo, buscar compreender as insatisfações e responder, nada! A direita carcomida, alimentada desde a ultradireita neoliberal internacional, soube bem fazê-lo de sua forma, a partir de uma tecnocracia e processos de subjetivação rapidamente conquistou à hegemonia política. Um dos poucos partidos de esquerda que estava nas ruas em 2013 e soube dialogar e interpretar até hoje à vontade popular, está com o povo e dando respostas em diversos campos de luta e vem crescendo nas bases e nas eleições, é o PSOL.


Às esquerdas revolucionárias, cabe estar ali na política institucional, em resistência, reduzindo impactos, mas usando seus mandatos e toda a força possível ao que realmente importa: a política desde baixo, com os de baixo, fortalecendo, educando e provocando poder popular. De forma ética, anti-hegemônica, anti-fetichista (não fetichizando os partidos, os movimentos ou às pautas), não conformando-se com os gabinetes, com os mandatos, sabendo que seu papel é unicamente o de passar a um modelo de Estado mais justo e solidário... Só há revolução com o povo! Até que seja possível, por força popular, com projeto político, mudar o modelo de Estado.


Os vanguardismos, centralismos, messianismos, iluminismos, daqueles que -acham que - SABEM o que é melhor para o povo, julgando-no burro, ignorante e assentando-se nos colos da burguesia, confortando-se com os palácios e gabinetes, sujando-se na lama dessa política que é em si, excludente, perversa e genocida, isso sim, é brincar com o povo, mas não como crianças, mas como perversos, apolíticos, que já perderam qualquer esperança e entregam-se às lógicas da morte.


Sejamos crianças!!! Sonhemos com outras possibilidades, outros modelos de Estado, outras formas políticas, quais estamos ainda por construir e que só são possíveis desde a exterioridade, desde aqueles e aquelas que ainda não se corromperam e confortaram com esta cultura que afirma apenas uma possibilidade e exclui todas as outras. O Estado Democrático de Direito burguês, liberal, é apenas uma possibilidade política, econômica, cultural e social. E ele não se desenvolverá naturalmente ao socialismo, como pensou Marx, ele pode piorar muito, de diversas formas, que nem Marx e nem nós sonhamos, como mostra o neoliberalismo.


Que ousemos ser crianças, talvez seja isso que nos permite construir no hoje, novas realidades.

Bolsonaro é só um títere dessa política. Ele não é o maior problema. Se Lula tivesse concordado em ficar no poder, estaria fazendo coisas bem parecidas com ele (como o Pt já tinha realizado, implantando políticas neoliberais). O maior inimigo é a cultura burguesa, o capitalismo e o modelo de Estado burgues. Não dá para separar. E precisamos de lutas contra isso, contra o pacote todo. Não haverá revolução que não seja contra o pacote todo. Negar-se à este reducionismo de aceitar esta forma política (cultura e modelo social) é a condição primeira para qualquer revolução possível...


Sejamos como crianças. Esperancemos, construindo no hoje, junto ao povo, desde baixo, à esquerda. E sempre que possível, celebremos, brindemos, festejemos nossas conquistas, pois

é na festa, da festa, que vislumbramos uma sociedade onde mais gente possa festejar e menos gente morra. Se tem algo que aprendi com Plínio de Arruda Sampaio é que a verdadeira Política, a Política com P maiúsculo é a política do Impossível, dentro das possibilidades. Dos sonhos, que podemos sonhar acordados. Da realidade que ainda não é. E ele disse e explicou esse jogo e essa posição inevocadamente. Lembremos sempre, pelos vídeos abaixo, para que o PSOL não seja um outro PT, nunca!



 
 
 

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